sexta-feira, novembro 12, 2010

Há vida após a Guerra Cambial? Ou será que nem Guerra Cambial existe?

Sim, há vida após a Guerra Cambial. Este que é o mais novo bordão do ministro Guido Mantega. Prato cheio para a imprensa que adora termos econômicos, que o diga Miriam Leitão, entrar de cabeça nessa "guerra".

Mas o que o ministro Guido Mantega quis dizer com esta expressão? Será que realmente ela existe?

Essa guerra nada mais é que medidas que os governos de alguns países estão tomando para conter a valorização de suas moedas. Ou seja, protegendo suas economias dada à enxurrada de dólares (600 bilhões no mercado – política denominada QE2) que os EUA estão jogando no mercado (isso tem muitas implicações que valem outros posts). Então volto a perguntar, ela existe?

Olhando para a história econômica, sim há guerra cambial, pois quando ocorrem tais movimentos no câmbio, ou seja, o câmbio a mercê do mercado com livre movimentação de capitais, ele se torna nocivo e incontrolável. Keynes legitimava essa visão, tanto que foi essa ideia que levou ao "pacto" de Bretton Woods, da concepção do FMI e da fixação da taxa de câmbio.

Mas por outro lado, se analisarmos a decisão do FED olhando para as circunstâncias atuais, só teria sentido a expressão cunhada pelo ministro se o QE2 fosse lançado apenas para acelerar a queda do dólar, o que não procede, pois a intenção do FED com este plano é acelerar a demanda interna e não derrubar o dólar – o peso das exportações não representa 15% do PIB americano –

Portanto, chegamos à conclusão que não há guerra cambial, o que já não pode ser dito pela Miriam leitão, Sardemberg e Cia ltda., pois eles sim gostaram da expressão. Qual será a próxima?

By Anonimowy

terça-feira, novembro 02, 2010

Celebração?? Feriado??

Dia de finados. Nunca entendi porque devemos ter um dia para celebrar os mortos. Ainda mais se essa celebração tiver relação com lembra e orar pelos antes queridos que se foram. Não perdi muitos em minha vida, mas acredito não precisar de um único dia para isso. Geralmente eles deixaram histórias, carinhos, cuidados, conquistas, exemplos relembrados esporadicamente entre acontecimentos do dia a dia. Então por que um único dia destinado a isso?? E um dia que vira feriado, aí sim tem menos sentido, quem vai lembrar dos que se foram, quando estão contando os dias para ir à praia??

Fico no aguardo de respostas sobre qual a intenção da igreja em um dia inteiro para saudar os mortos, será que há alguma relação com intenção com o grande mote da igreja "a ressurreição",  em saudar aqueles que nós receberão quando voltarmos “ao pó” (sim Rõ, provocações, rs)?? Aliás, qual o sentido de voltar ao pó e ter uma bela recepção?? Bom, mas aí entramos em outras discussões que ficam para um novo post.

Até a próxima, bom final de feriado e como disse Jô Soares No Brasil, quando o feriado é religioso, até ateu comemora”

Mariana 

segunda-feira, outubro 25, 2010

Ortodoxia


Este é o nome do livro de G.K. Chesterton (1874-1936) escritor inglês que teve debates intelectuais outros grandes da época como Bernard Shaw, H.G. Wells e Bertrand Russel. Chesterton é considerado um dos maiores ensaístas da língua inglesa, porém é pouco lido no Brasil (editado aqui pela editora Mundo Cristão – obrigado MC).
Chesterton é dono de uma prosa elegante e de humor irônico que corta que lhe confere um poder de persuasão único. Reservo-me no direito de reproduzir abaixo um texto dele que faz parte do livro Ortodoxia, publicado em 1909.
"...é na verdade quase um lema do mundo moderno.(...)Referindo-se a alguém, disse o editor: 'Aquele homem vai progredir na vida; ele acredita em si mesmo.'(...) Disse-lhe eu então: 'quer saber onde ficam os homens que acreditam em si mesmos? Eu sei.'(...) 'Os homens que realmente acreditam em si mesmos estão todos em asilos de lunáticos'" Mais adiante ele diz: "Atores que não sabem representar acreditam em si mesmos; e os devedores que não vão pagar. Seria muito mais verdadeiro dizer que um homem certamente fracassará por acreditar em si mesmo."
Autoconfiança é uma fraqueza, mas se disse isso em um jantar inteligente, não será mais convidado para comer a culinária do Azerbaijão e ficará sem amigos. Autoconfiança foi feita para vender livros de Auto-Ajuda em um mundo que está cada vez mais chato.
Para sair por algumas horas da chatice do eco-mundo (no novo acordo ortográfico é assim que se escreve?) leia Chesterton e a sua Ortodoxia.


Rodrigo

sábado, outubro 23, 2010

“Nosso Guru”


Interessante o discurso dado pelo "Nosso Guru" durante uma audiência na Abrinq. Quando falava aos presentes, mais uma vez sobre seu homérico governo, "Nosso Guru" criticou os planos econômicos criados nos anos 80 e 90 – Plano Collor (Fernando Collor), Verão e Bresser (José Sarney) – para controlar a inflação e disse que seu governo é motivo de orgulho (só se for para a avó dele né).
Nas suas palavras ""Temos que ter muito orgulho da situação que o Brasil está atravessando. Encontramos um jeito de governar sem o academicismo das teses colocadas em prática, sobretudo na área econômica, e que, quando fracassavam, os prejuízos ficavam por conta dos que não tinham nada a ver com as teses". Ele não estudou e a culpa é do academicismo? Bom, não sendo da academia, os planos econômicos sairão de onde, da Metalúrgica? Alguém disse a ele que o Plano Real foi criado na Academia? E o pior, a frase acima, olhando com clareza, parece que ele está dizendo que o Real foi criado no governo dele (só para lembrar, ele foi contra).
Faltam dois meses para o governo do "Nosso Guru" terminar e eu já começo sentir falta das piadas que ele conta.



Rodrigo

sexta-feira, outubro 22, 2010

O Blog

Destruição Criadora ou Destruição Criativa foi uma expressão cunhada por um dos maiores economistas do século XX, o austríaco Joseph Schumpeter, quando escrevia sobre a importância da inovação em uma economia capitalis
Creative Destruction or Creative Destruction was a phrase coined by one of the greatest economists of the twentieth century, the Austrian Joseph Schumpeter, when writing about the importance of innovation in a capitalist economy.

Por favor

Alguém me diz por que o Gustavo Cerbasi escreve no caderno de Economia, vulgo Mercados?

sexta-feira, outubro 15, 2010

VOLTEI

Dois  anos fora e cá estou, buscando uma identidade e repaginando o visual.

Bora escreverrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrr

Abs

terça-feira, fevereiro 26, 2008

Brasil credor externamente, mas, e internamente???

No dia 21 de fevereiro de 2008, o Banco Central divulgou a nova situação macroeconômica internacional do Brasil, em que passamos de devedores, para credores internacionais, sendo este, segundo Paulo Valle (Secretário-adjunto do Tesouro Nacional), “um marco, um símbolo forte" que vai contribuir para uma aceleração no investment grade (grau de investimento). Mantega também se pronunciou, anunciando números como o nível de reservas internacionais brasileiras, que atingiram US$ 188,5 bilhões, enquanto o total da dívida é de US$ 184 bilhões, e como Valle, disse que esta passagem do Brasil, de devedor para credor no cenário internacional aproxima o país do grau de investimento (investment grade). Mas, será mesmo que merecemos um investment grade?

Para atribuir notas sobre os países, as agências de rating avaliam muito mais do que somente a posição da relação Reservas Internacionais x Dívida, mas sim outros quesitos como, risco político (Local e Regional), disparidades na distribuição de renda, eficiência do setor público, comportamento dos preços nos ciclos econômicos, independência do Banco Central, endividamento do setor público, custo dos impostos, entre outras centenas de condições, e infelizmente, eu não dormi no dia 20 de fevereiro, e acordei logo cedo no dia 21, e vi um Brasil menos desigual, com tributos mais coerentes ao retorno que temos, os políticos não deixaram de ser corruptos e votarem pastas que só interessam a si mesmos, os prefeitos e governadores do país que não se adequaram às leis de responsabilidade fiscal estão sendo punidos como deveriam ser, e a média anual (12 meses correntes) do IPC-BR (Índice de Preços do Consumidor – Brasil – Bens Comercializáveis) de jan/2008 não está 12 vezes maior do que o de jan/2007.

Podemos avaliar o mérito de o Brasil receber um investment grade em dois âmbitos, o político e o econômico. No âmbito econômico, o Brasil até merece, pois a política econômica tem sido gerida de maneira responsável, seguindo o modelo adotado em 1994, mas no âmbito político e nas suas externalidades, o Brasil ainda tem muito trabalho pra fazer e, talvez, este ainda não seja o momento...

Claudino Velloso Borges

terça-feira, fevereiro 19, 2008

Fica o Mito!!!

E Fidel não é mais o comandante de Cuba. Renunciou com um artigo no jornal oficial do governo cubano Granma (nome do iate que levou os revolucionários à Cuba em 1956 para levar adiante a Revolução Cubana). Lá ele cita também trechos de correspondência que enviou ao amigo jornalista - Randy Alonso, diretor do programa 'Mesa Redonda' da televisão nacional. Fica o mito! Alguns órgãos de imprensa e países como EUA e França anunciam que a renúncia simboliza o fim de uma era e uma transição para a democracia. Tenho lá minhas dúvidas!!! Tudo que for dito agora será mera especulação (nome bonito para “chute”, “palpite”, etc.). O que virá daqui para frente é uma incógnita. Mas algumas perguntas devem ser feitas, as quais: Transição para uma democracia? Que, com Fidel vivo, será difícil essa transição. Liberalização econômica? Uma pauta do governo do irmão Raul, como simplificar os trâmites migratórios e até liberar o mercado imobiliário e de automóveis e como o próprio Raul discursou em dez/2007, pretende acabar com um "excesso de proibições". Só que esta liberalização econômica mais abrangente, novamente, será difícil com Fidel por trás como mentor intelectual. Embargo americano então, nem se fala, isso os EUA já anunciaram que não repensarão nada referente mesmo com a renúncia de Fidel, em outras palavras, só depois que Fidelzito “abotoar o paletó de madeira”, que os próprios falcões da Casa Branca idealizam desde a Revolução de 1959. Ou seja, com Fidel vivo, mesmo sem condições físicas, continuará a dar as cartas do jogo, menos do que quando era o Comandante da Revolução, mas agora como, nas próprias palavras de Fidel no artigo da renúncia, como um “soldado das idéias” onde “Será mais uma arma do arsenal com o qual se poderá contar”. Alguém aí falou em Democracia? Rodrigo Carlos Barbosa

sexta-feira, dezembro 21, 2007

Raúl Seixas e a CPMF

“Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo” cantava Raulzito no país do futuro (MEU DEUS!!!). O que me faz recordar a música citada foi à cena onde o senhor Artur Virgílio, líder do PSDB, que criou a CPMF no governo tucano, berrar a plenos pulmões contra sua prorrogação e, Paulo Paim, do PT, que foi contra a CPMF, gritar enfurecidamente a favor da mesma. Mas de nada adiantou e a CPMF caiu.

Caiu na semana em que o nosso czar da economia, sr. Guido Mantega, tinha uma entrevista publicada nas páginas amarelas da Veja dizendo que, se a CPMF fosse aprovada, o governo anunciaria no dia seguinte uma redução em etapas para até 15% da contribuição previdenciária sobre a folha de pagamentos. Só que ela não foi aprovada!!!!! Ah, então ele que se auto intitula “social-desenvolvimentista”, no dia seguinte a não aprovação, sugere “criar” um imposto permanente através de medida provisória. Talvez ele quisesse dizer o oposto do que disse antes (parafraseando Raulzito para a mesma música citada), ou seja, temos uma das maiores cargas tributárias do mundo, mas a CPMF não pode acabar, se acabar criamos outro tributo através de uma MP (relação com o governo FHC é mera coincidência) e a pujança dos gastos da máquina continuam como estão. Finda a votação, começa a negociação, porque soluções terão que ser pensadas e aprovadas, pois agora são R$ 40 bilhões a menos nos cofres da máquina pública, logo, Quais as possibilidades do governo e as expectativas do mercado com relação a 2008?

Uma primeira opção do governo seria propor cortes de despesas. O problema é que nesse caso, o principal prejudicado deverá a Saúde, que previa transferência de R$ 24 bi em quatro anos, ou seja, a possibilidade de revisão com a forma e a eficácia de como o dinheiro público é gasto, provavelmente não será posta em pauta, assim como cortes nos gastos com o próprio sistema também não deve ser cogitado. O que é fato é que o governo não sabe cortar gastos, ele sabe cortar investimentos, porém, ele corta investimentos que ainda não fez, somente previu, e que provavelmente, não iria cumprir, ou seja, ele vai cortar na previsão, prevendo então um número menor, e provavelmente vai cortar na execução do previsto, como já é de costume.

Uma segunda opção seria votar numa reforma tributária, só que reforma tributária, deveria significar cortes de receitas, porém Mantega (o cepalino) já retirou a proposta de reforma tributária do Senado, e vai refazer para conseguir diminuir o impacto do corte da CPMF - propondo a criação de outro imposto.

A terceira opção, a mais dura e complexa com relação ao mercado seria a manutenção ou até mesmo um aumento da SELIC para financiar este déficit da receita, o que reflete no desempenho dos contratos fechados com perspectivas de fluxos futuros mais baixos na BMF, por exemplo, isso sem contar o reflexo direto que a taxa Selic tem em relação ao custo de investimento no país, impossibilitando maiores investimentos na produção e desenvolvimento nacional.

Como pregou ou “pragou” o senador Wellington Salgado (PMDB-MG), em tom de premonição, aqueles que votariam contra CPMF “Vão juntinhos para o inferno”, é, pelo andar da carruagem, não só eles senador!!!!!

Claudino Velloso Borges e Rodrigo Carlos Barbosa

quarta-feira, dezembro 12, 2007

Democracia Tupiniquim

Em uma aberração legislativa, Câmara Municipal de São Paulo amplia e desaprova no mesmo dia a lei do rodízio, em um acordo entre a prefeitura e a capital, para aprovar em seis horas, 96 projetos. Deu pra entender? 96 projetos em 6 horas de trabalho!!!! Quantos desses projetos será que eles leram? Eles não votam isso em um mês!!! Alguns dias depois, descobrimos que eles criaram um método para se livrar do rodízio, que eles mesmos criaram, com a prerrogativa de que não se pode cercear o direito de ir e vir dos vereadores da maior cidade do Brasil, se esquecendo de um pequeno detalhe, eles cercearam o direito de ir e vir de toda a população de São Paulo, isso sem contar as externalidades.
A discussão sobre a constitucionalidade, funcionalidade ou a defesa ou não do rodízio, não é, definitivamente, o foco deste texto, mas sim a pergunta, quem eles estão representando? Votamos em vereadores, senadores, deputados, prefeitos, presidente, etc, etc e etc, pra que? Pra nos representarem? Mas quem de nós se sente representado por este bando de sanguessuga?
A função desses cargos é o de votar de maneira democrática, de forma representativa, a vontade e os direitos dos cidadãos. Porém vemos por este “acordão” entre a prefeitura e a Câmara, onde passaram 96 projetos não lidos e não discutidos, que eles estão lá pra representar seus próprios direitos e interesses, e os brasileiros que se danem...
O mais cômico é ver nossos parlamentares, que não aprovam a entrada da Venezuela no Mercosul (não que eu seja a favor) porque ela não apresenta uma administração democrática, ou seja, é o sujo, falando do mal lavado!!! Quem é mesmo o Brasil pra falar de democracia???
Claudino Velloso Borges

quinta-feira, outubro 18, 2007

Minhas memórias póstumas

“Ao verme que primeiro roeu as frias carnes do meu cadáver dedico com saudosa lembrança estas Memórias Póstumas.”
Memórias Póstumas de Brás Cubas foi um divisor de águas na carreira de Machado de Assis. Brás Cubas, já no início do livro, levanta a questão em que se definia não como um autor defunto, mas sim um defunto autor. A diferença de minhas memórias para as de Brás Cubas, é que no meu caso, não me enquadro em nenhum desses dois pólos por um único motivo; Ainda não morri!!! Mas tenho hoje a visão privilegiada de quem olha por fora, por fora do meu corpo, e por ainda poder ouvir pulsar meu peito, aproveito para escrever minhas últimas palavras.
Primeiramente, devo me apresentar. Sou uma menina de 5 anos, pobre e negra, o que deveria definir somente de onde vim, porém no Brasil, isso já define onde vou chegar. Neste momento vejo meu corpo deitado em uma cama de UTI, com minha mãe a chorar ao meu lado, ouvindo as novas noticias dos médicos. Mas apesar de tudo, estou feliz, afinal, já estou na UTI. Minhas memórias se baseiam em como cheguei aqui. Na sexta-feira passada (vale lembrar: dia das crianças) eu estava jogada há dois dias em uma maca de um corredor que nada se parecia com um play-ground, uma piscina ou um parque, que era onde eu realmente, deveria estar. Eu via minha mãe a chorar uma dor desesperada, meu pai se perder entre a dor da filha em coma, e a dor da esposa a perder os sentidos. Via os médicos se segurando em pé após 32 horas de plantão, engajados em encontrar uma UTI que me aceitasse. Dois dias tentando uma vaga em uma UTI no estado de São Paulo, dois dias a menos de chance da minha sobrevivência. Até que meu pai, em uma última tentativa desesperada, bateu na porta da casa do prefeito, faltando 10 minutos pra meia noite. O prefeito obviamente, não atendeu, porém conseguiu falar com a esposa do prefeito, que fez somente uma ligação. UMA ÚNICA LIGAÇÃO, que dispensava todas as ligações daqueles dois dias, e após 3 horas, eu estava em uma UTI móvel a caminho de uma chance de sobreviver.
Palmas à 1ª dama de Ubatuba, que se comoveu com meu caso e se dispôs à me ajudar, porém invoco todas as vaias deste mundo, ao marido dela, e à todos os políticos deste país, que ao invés de repassarem a totalidade das receitas da CPMF para a saúde pública deste país, cumprindo sua finalidade inicial, barganham cargos, salários e mensalões para a aprovação desta conta bilionária que todos nós pagamos absolutamente em vão. Se este imposto cumprisse com sua obrigação, certamente eu não precisaria depender da boa vontade de mulheres de prefeitos, e certamente, milhões de vidas de pessoas que não conseguiram o endereço do prefeito teriam sido salvas.
Uma outra diferença marcante entre minhas memórias e as memórias de Brás Cubas, é que a de Brás Cubas é uma ficção, um romance escrito para ilustrar um malandro brasileiro, e as minhas memórias, são realidades escritas por causa dos malandros brasileiros.

Claudino Velloso Borges

terça-feira, outubro 16, 2007

Heróis ou Bandidos

Enfim saiu nas telonas o tão “esperado” Tropa de Elite ou para os mais exaltados e empolgados, simplesmente BOPE. Fui assisti-lo e confesso que fiquei impressionado nos dois sentidos, o bom e ruim, e explicarei por que, mas entre as duas opções, o bom se sobressai em um filme considerado o melhor do ano no Brasil!!!
O longa de José Padilha nos dá a visão do batalhão mais temido pelo tráfico e, talvez por isso, o mais idolatrado pela sociedade carioca e brasileira.
Analisando friamente, em minha opinião, a fama de incorruptível que o BOPE leva pode ser questionada, não por achar que não exista, mas por passar a imagem que, se você passa pelo treinamento no qual é submetido um aspirante, você não será corrupto, apresentando uma teoria de que, passando por tais sacrifícios pessoais, você se tornará incorruptível.
O BOPE usa a tortura como principal arma e sempre – pelo menos no filme – os resultados são satisfatórios. Mas só no Brasil isso é aplaudido. Como disse Wagner Moura à Folha (na Suécia eles jamais aplaudiriam cenas como essa). Mas aqui não é a Suécia e a realidade é bem diferente dos nórdicos do primeiro mundo.
Assistimos um capitão Nascimento (otimamente interpretado por Wagner Moura) no dilema de achar um substituto à altura, o sucessor ideal entre um aspirante que tem coração e outro que tem cabeça, e sair do BOPE, pelo filho que há de vir e com isso as dúvidas existencialistas mesclando “o caveira” que sobe o morro da Babilônia armado até os dentes com o “papai Nascimento” que se emociona com a morte do fogueteiro quando a mãe lhe pede o direito de enterrar o filho. Aí entra a humanização do herói-bandido!!!
Ele, que manda enfiar um saco no rosto de quem não cooperar, pode usar cabo de vassoura também, torturando até o infeliz falar, um nazi-facismo que chega arrepiar. Mas não, o filme não é facista, mas o BOPE se aproxima de tal!!!
Na contraparte (ou a parte boa do filme) mostra o sistema agindo em benefício próprio, com troca de favores entre policiais e traficantes, com o esquema de “arrego” que corre solto na polícia militar carioca (e por que não dizer brasileira), mostrando que até nas propinas há uma hierarquia a ser respeitada, portanto, faça parte do jogo ou vá cuidar do trânsito. A classe média alta sendo escancarada, mostrando que muito do dinheiro que o tráfico movimenta é para sustentar o vício dos que ficam da sua cobertura na zona sul com uma visão superficial do mundo, fumando seu baseado e enquanto vidas e mais vidas morrem por causa do vício deles. A bronca do capitão Nascimento (faço minha as palavras dele) é com esses que tem a oportunidade de não cair nesse mundo e o fazem.
E o fato de não colocar o traficante do morro como o bom moço da história, o guardador de rebanhos da morada dele, já vale a pena. O debate sobre segurança ainda está muito banalizado pelas autoridades, a população acha que “bandido bom é bandido morto” ou “seja marginal, seja herói” e a democracia se esfacela no gigante em berço esplêndido. Tropa de Elite vem bem a calhar se olharmos para a capital federal, onde a propina (mensalão, mensalinho, pensões, dêem o nome que quiserem) e o sistema andam lado a lado, mas a conta quem paga somos nós, pois infelizmente, não dá para colocar na conta do Papa!!!
Rodrigo Barbosa

quinta-feira, outubro 04, 2007

Falso Profeta

Nostradamus é um personagem real que move curiosidades sobre as pessoas que se interessam pela a adivinhação do futuro. Não tão surpreendente é o nº de pessoas que se autodenominam profetas, como nosso engenhoso amigo secular, que já previu guerras, anti cristos, invenções e cousa e lousa e maripousa. Mas talvez não imaginou um Bidu tão barulhento (no sentido visionário) como ele. E para nos regozijarmos, senhoras e senhores, ele é tupiniquim. Apresento-lhes nosso profeta Guido Mantega!!!!
Sinceramente, o nosso profeta ganharia um campeonato de adivinhações com larga vantagens sobre Nostradamus e cia ltda. O rapaz tem futuro (ele deve ter adivinhado isto também).
Começo a achar que Lula o nomeou min. da Fazenda por causa do dom divino dele. Assim desvia as atenções dos acontecimentos governistas.
Trago à tona este poder oculto do sr. Guido devido ao que acabo de ler no Jornal do Commercio: "Acredito que a turbulência internacional está sob controle. Não digo que acabou. Em 2008, não teremos conseqüência maior dessa turbulência. Até o final deste ano, acredito que todos os problemas serão absorvidos. Se houver uma pequena desaceleração na economia mundial, já vimos que vai atingir pouco o Brasil", previu o Moisés Latino Americano.
Fora quando, em 2006, o Abraão do séc. XXI previu que a economia brasileira cresceria 4,5% (quando cresceu 3,7) ou quando disse com absoluta convicção de um operador de telemarketing das telefonias celulares: “Acho que a crise do Subprime realmente é séria”, não brinca!!!
Então, não esquecermos do que disse o maior profeta da nossa história: “Não acreditai em falsos profetas” Eu estou com ele!!!
Rodrigo Barbosa

O Privilégio do esquecimento...

O Brasil quase fechou o caixão em crises de questões políticas, estruturais, morais e econômicas, onde todos gritavam e se indignavam, e agora, como de costume, todos se calaram...Cadê todo mundo??? Cadê o movimento Cansei??? Cadê o movimento Peidei??? Nem o Zé Simão ta dando graça de ouvir mais....é só enrolação!!!!
A verdade sobre este país é que é um país de memória fraca.Basta um fim de semana, um feriado um pouco maior e todos se calam como se todos os problemas do país estivessem resolvidos. Bastam notícias econômicas boas, bolsas subindo, dólar caindo, pra todos esquecerem os quase 300 mortos nos acidentes aéreos ainda não resolvidos. Basta um novo escândalo do Corinthians, para todos esquecerem o dos mensaleiros, ou o do Renan Calheiros....O país parou!! Parou de tal jeito que vira notícia de jornal casos como a candidatura da Sabrina Sato à vereadora de São Paulo, ou da Gretchen à Prefeitura de Itamaracá. As instituições governamentais ruíram, e estas são as provas. Antigamente votávamos somente nos filhos... e hoje, bom, hoje quem ganha votos são as mães.

Claudino Velloso Borges

segunda-feira, setembro 24, 2007

A institucionalização da Desigualdade Social

Este fim de semana fui com minha família pro Hopi Hari. Pagamos 39 reais (por pessoa) para ter acesso às enormes filas características do parque. Neste domingo tinham aproximadamente 20 mil pessoas dentro do parque, quantidade infinitamente maior do que a capacidade do parque de fornecer acesso à todos os brinquedos durante o tempo em que permanece aberto. Eram 3 horas da tarde, eu havia conseguido andar em somente 2 brinquedos. Estava cansado, com calor e absurdamente mal humorado, até que percebi que o melhor seria mesmo, RELAXAR E GOZAR!!! E comecei a conversar com as pessoas na fila, que me informaram que o tempo de espera pra aquele brinquedo era de aproximadamente 4 horas (comecei a calcular, 2 brinquedos até as 3 da tarde, mais 4 horas pra andar em mais 1, paguei 39 reais pra andar em 3 brinquedos e ir embora cansado e mal humorado, certamente não valia a pena), até que uma menina me informou do pacote “fura fila” do parque, onde podemos pagar mais caro pra furar a fila dos brinquedos. Por 20 reais por pessoa, compramos mais 4 entradas pra furar fila, em 40 minutos, andei em 4 brinquedos e às 5 da tarde fomos embora, às 6 da tarde já estava em casa tomando banho e pensando em como eu era esperto...
Esperto???? Comecei a pensar nas coisas que pago para evitar filas. Tenho o “Sem parar” do pedágio, que por 8 reais por mês, passo pelo pedágio sem ter que enfrentar filas e sem ter que parar o carro. Entro e saiu de estacionamentos de shoppings sem papel, sem fila pra pagar guichê. Compro entradas de cinemas, teatros, eventos, etc, pela internet e pago taxas extras pela comodidade de estar em casa. Pago uma fortuna por uma conta especial no banco pela comodidade de marcar reuniões em casa ou no trabalho, em qualquer dia e horário que eu quero, sem ter que ir ao banco, enfrentar filas e pegar trânsito, pra resolver qualquer problema que eu possa ter. Ligo para os ”disk´s super-mercados”, que por uma taxa, eles selecionam tudo, empacotam e levam à minha casa. Temos também a entrega rápida da farmácia, que é só ligar que em 15 minutos eles entregam (tempo menor que eu demoraria pra sair de casa, comprar e voltar). Isso falando de coisas licitas, sem contar o fato de que se eu perder a carteira de motorista por eventuais multas que tomei, por uma pequena “colaboração” ao despachante, em um mês tenho uma carteira novinha em folha na minha mão.
Quando comecei a analisar, percebi que me tornei uma vítima de um sistema corrupto. Estamos chegando num ponto onde as coisas são criadas para não funcionar, para serem desconfortáveis e pra causarem transtorno, e quem estiver disposto uma “pequena” taxa de usura e ganância, tem direito a passar sem preocupação por tudo. O rico está imune à todos as pragas da sociedade, enquanto os pobres são tratados como as pragas da sociedade.
Claudino Velloso Borges

terça-feira, setembro 11, 2007

Crise?

Na minha opinião ela pode não ter acabado. Mas já na do ministro da fazenda Guido Mantega, ela foi superada e “A turbulência nos pegou com o bolso bem cheio” disse em entrevista a Isto é Dinheiro em 29/08.
Ah sim, estou falando da crise imobiliária norte americana que atingiu fortemente mercados do mundo todo no mês de Agosto, mais precisamente no dia 15.
Mantega, continua dizendo que o Brasil tem uma economia sólida, que o crescimento está baseado no mercado interno, que os EUA não são mais a locomotiva do mundo e que 160 bilhões de dólares de reserva irão segurar uma possível crise.
Nosso ministro está mais do que certo em ver as coisas no plano do otimismo, assim como foram as declarações de Henry Paulson (secretário do tesouro americano), porém não vivemos um mar de rosas.
Ok, agora vamos as considerações:
- O Brasil até pode viver um momento de solidez, mas está crescendo pouco, a taxa de juros está caindo a passos curtos e a expectativa do mercado para a inflação está aumentando, o que mostra otimismo nas palavras e protecionismo nas atitudes.
- Discordo muito de um crescimento baseado na economia interna, já que grande parte dos investimentos vêm do mercado externo e quase nada foi feito em infra-estrutura, na geração de novos empregos e muito menos na desigualdade social, dado a queda no poder de compra do cidadão brasileiro.
- Os EUA podem não ser mais a locomotiva capitalista de 7 anos atrás, mas com um dólar desvalorizado e o mercado imobiliário entrando em parafuso, países emergentes como o Brasil só têm a perder. Além do que se não fosse as medidas do Fed em baixar a taxa de redesconto americana, essa crise teria durado um pouco mais.
- E por fim, uma reserva de 160 bi é muito grande comparado aos mais de 1 tri chinês?? Ou frente a uma crise com o gerador dos dólares para o mundo?
Lembre-se que o Subprime (créditos imobiliários de risco) não é o único problema do Tio Sam, mas sim, uma economia sensível onde os seus investidores têm poder de alavancagem ZERO e com certeza causarão muitos estragos aos Bancos Centrais em uma possível necessidade de resgate.
Ninguém ainda ligou para dizer que o céu estava caindo... e espero que a linha continue livre!

J.A.

quarta-feira, setembro 05, 2007

O Valor do Salário Mínimo

Matéria publicada no jornal Folha de SP dia 01/09, dizia que, segundo os valores previstos no Orçamento para 2008, o salário mínimo subirá para exatos R$ 407,33 a partir de março. (menor reajuste desde 2004), conforme a metodologia prevista em um dos projetos do PAC ainda não aprovado pelo Congresso. Mas sobre isto falaremos um outro dia. A minha pergunta é: Para que serve o Salário Mínimo (vou chamar de SM daqui pra frente)??? Com certeza a primeira resposta que ouviremos da “sabedoria convencional” será: É para combater a pobreza. Então, se você também pensa assim, é preciso começar a rever os seus conceitos.
Do ponto de vista social, o SM é extremamente ineficaz no combate à extrema pobreza!!!
Um estudo de set/2006 dos economistas do IPEA revelam resultados bastante negativos referente ao SM, ou seja, pouca efetividade no combate à pobreza e à extrema pobreza. Só para se ter uma idéia, o estudo nos mostra que com 40% dos recursos gastos com um aumento no SM, o Bolsa Família é capaz de alcançar a mesma redução na pobreza.
Quando se aumenta o SM, automaticamente aumenta o rombo na previdência, o que não acontece com outras políticas sociais. Não estou defendendo o Bolsa-Família, mas que se comece a pensar em políticas na qual o retorno social é maior e mais efetivas. Não adianta aumentar as despesas correntes (é de onde sai o $$$ do SM), pois ao mesmo tempo se está retirando dinheiro de investimento público, logo, diminuindo o potencial de crescimento da economia O rombo da previdência é um dos pilares do nosso baixo crescimento, destarte, é preciso redefinir a política de aumento do SM. Só para dar um exemplo da realidade do que se pode fazer com o SM, em janeiro de 1944, o SM real era de R$ 336,79 e em Julho de 2007 ele era de R$ R$ 380,00. São só 63 anos de diferença para ter aumentado tão pouco!!!!
Sendo assim, para aqueles que argumentam a favor do aumento do SM e ignoram o rombo da Previdência, lembro-lhes a frase atribuída a um anônimo e com a qual Jaqueline Kenedy teria sido recebida em Washington, após o assassinato do seu marido: “ Fora isso, MRS. Kennedy, o que a senhora achou de Dallas?”
Rodrigo Barbosa

Inflação = Crescimento????

“A discussão recente sobre o aumento da meta de inflação para o ano que vem é surrealista. Tudo se passa como se os parentes de um ex-alcoólatra estivessem deliberando que uma tacinha de vinho, quem sabe duas, não faria mal nenhum. Essa gente não entende a tragédia do alcoolismo, ou do inflacionismo, e a importância da abstinência. Para entender, talvez seja bom recordar apensar um único número: 20.759.903.275.651%. São vinte trilhões (!!!), setecentos e cinqüenta e nove bilhões, novecentos e três milhões, duzentos e setenta e cinco mil e seiscentos e cinqüenta e um por cento de inflação acumulada entre abril de 1980 e maio de 1995.”. Estas foram as palavras de Gustavo Franco, em 28/04/04, em uma coluna para a Veja. A discussão sobre o cumprimento da meta de inflação de 2008 veio a tona e alguns analistas já se preocupam com o cumprimento desta meta. Independentemente de que se vamos conseguir cumprir a meta ou não, o que me põem medo é ver o simples aumento da inflação dos últimos meses. A variação mensal do IGPM/2007 saiu de 0,043% de março a abril, e abril a maio, para 0,26% de maio a junho, 0,28% de junho a julho, e 0,984% de julho a agosto. Será que temos realmente com o que nos preocuparmos? Vamos então à discussão. São dados que confirmam que altas taxas de inflação estão diretamente relacionadas à altas taxas de crescimento, e o que o Brasil precisa hoje é crescer. A Argentina cresceu 9% em 2006, com uma inflação de 9,8%. Portanto a inflação seria uma boa saída pro Brasil? Definitivamente não. O que a inflação permite é um financiamento canibal de um crescimento de produção que não se sustenta, explico: Vamos dividir a economia em Bancos, empresas e consumidores e ver a quem interessa a inflação. Os Bancos emprestam, por exemplo, 100, com taxa de juros de 10% = 110, porém a inflação é de 20%, ou seja, ele emprestou 100 e tira 90 (conta de padaria), ou seja, aos Bancos NÃO INTERESSAM. E às empresas? Elas compram matéria prima hoje, pra pagar em 1, 2 ou 3 meses, e quando eles vão pagar, está mais barato do que quando comprou. Ele produz e na hora que vende, seu preço é corrigido pela inflação, portanto, vende mais caro, e ele pega o valor recebido e já transforma em produto, defendendo seu capital em produto (capaz de valorizar), aumentando a produção. Os salários ficam cada vez mais baixos, ou seja, seus custos caem, então PARA OS EMPRESÁRIOS INTERESSAM. E para a população? Ela ganha 100 hoje, amanha ta valendo 70, ou eles compram tudo rápido, ou perdem tudo. Ou seja, NÃO INTERESSA. O que acontece na inflação é que a atividade econômica aumenta, pois os consumidores têm que comprar o mais rápido o possível, e as empresas se aproveitam para defender seu capital e produzirem mais, portanto a inflação funciona como um financiamento para as empresas que crescem mais, vendem mais e elevam o crescimento do país. Porém é um crescimento financiado às custas dos trabalhadores, que faz aumentar a concentração de renda e desigualdade social. Sem contar que a partir do momento que os agentes econômicos se acostumam com a inflação, os contratos e os preços já são calculados baseados na variação da inflação, perdendo então a sua finalidade. O melhor a um ex-alcoólatra, é ficar longe da bebiba!!! Claudino V Borges